Pesquisa Quaest indica que violência lidera preocupações no Brasil e 70% veem alta na criminalidade
Levantamento aponta que maioria dos eleitores considera punições a criminosos insuficientes e avalia mal atuação do governo federal e da Justiça na área.
Sensação de insegurança nas ruas reflete a preocupação do eleitorado com o avanço da violência urbana, apontado como um dos principais problemas do país. Imagem: Ilustração gerada por IA / Gemini. A violência se consolidou como a principal preocupação da população brasileira, sendo citada por 28% dos eleitores como o maior desafio enfrentado pelo país. O dado faz parte de um levantamento nacional sobre segurança pública que indica ainda que 70% dos entrevistados percebem um aumento expressivo da criminalidade nos últimos dois anos.
Na lista das maiores preocupações nacionais, o avanço da criminalidade superou temas econômicos e sociais. A corrupção aparece em segundo lugar com 22%, seguida pela economia com 19% e pela saúde com 15%. Questões como desemprego e educação foram lembradas por 5% dos entrevistados cada uma, enquanto infraestrutura somou 2%.
A sensação de que a violência cresceu de forma acentuada alcança 76% entre as mulheres e 63% entre os homens. O percentual também é mais elevado entre pessoas que concluíram até o ensino médio, atingindo 73% desse grupo.
Geograficamente, os moradores da Região Sudeste lideram a percepção de alta, com 73% registrando aumento significativo. Em contrapartida, no Centro-Oeste o sentimento de mudança é menor: 58% viram crescimento na criminalidade e 23% avaliaram que a situação permaneceu igual. No recorte político, 87% dos eleitores bolsonaristas e 80% dos simpatizantes da direita não bolsonarista afirmam que a violência cresceu, contra 55% dos eleitores da esquerda não lulista.
Entre os cidadãos que relatam a expansão da criminalidade, 73% atribuem o problema simultaneamente ao aumento na quantidade de delitos e à maior gravidade das ocorrências. Outros 14% acreditam que houve apenas a elevação do número de crimes, enquanto 12% observam somente o agravamento da violência durante os atos criminosos.
O estudo também mediu a avaliação popular sobre a atuação das autoridades e o rigor da lei. Para 67% dos brasileiros, o grau de punição aplicado a quem comete crimes diminuiu nos últimos anos. Uma parcela de 22% entende que o rigor das penas aumentou e 11% não souberam ou não responderam.
No tocante às instituições de segurança, a Polícia Militar dos estados obteve a melhor aprovação, com 45% de avaliações positivas. A Polícia Federal aparece logo em seguida, somando 44% de aprovação. Por outro lado, as opiniões negativas predominam em relação ao governo federal, rejeitado por 36%, e ao Poder Judiciário, que registra 35% de avaliação desfavorável.
Em relação ao trabalho policial específico, a captura de foragidos da Justiça lidera os índices positivos, com 38% de aprovação. A investigação de crimes, o patrulhamento preventivo nas ruas e a abordagem de suspeitos registram 36% de avaliação favorável cada. Já o combate às facções criminosas amarga a pior avaliação, com 43% de reprovação frente a 27% de aprovação. O enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher também tem saldo negativo, com 39% de rejeição e 32% de aprovação.
A pesquisa Pax/Quaest foi realizada de forma presencial entre os dias 12 e 15 de setembro, ouvindo 2.004 cidadãos com idade a partir de 16 anos. A margem de erro estimada do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.


