Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro revelam contrato de R$ 427 milhões e citam ministro do STF
Acordo de advocacia previa honorários em ações que podiam liberar R$ 8,5 bilhões em precatórios para o Banco Master.
Ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro recorre ao STF para tentar revogação de prisão preventiva. Foto: Reprodução Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e enviadas ao Supremo Tribunal Federal revelam a negociação de um contrato de advocacia de R$ 427 milhões envolvendo a chamada "Turma do KN". As informações sobre o acordo foram reveladas pelo portal Metrópoles e confirmadas pela CNN.
O documento, fechado com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, estabelecia honorários de 5% líquidos sobre eventuais vitórias do Banco Master contra a União em 12 ações do setor sucroalcooleiro. Caso a instituição obtivesse decisões favoráveis nos tribunais superiores, os repasses poderiam alcançar R$ 427 milhões, com pagamento previsto em até cinco dias. A liberação total estimada nesses processos era de R$ 8,5 bilhões em precatórios.
Nas trocas de mensagens, a sigla "KN" faz referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF. O termo "turma" refere-se ao desembargador Newton Ramos e à sua esposa, a advogada Camilla Ramos. Conforme o material apreendido, Newton Ramos atuava como intermediário de pedidos do magistrado junto a Vorcaro.
As conversas detalham tratativas para o aluguel de uma casa no Carnaval de 2025, entradas em camarotes e diárias no hotel Fasano. Em diálogo de fevereiro de 2025, o assessor Leonardo Serrano Giunchetti perguntou a Vorcaro: "Dani, turma do KN/Newton me mandou aqui 6 nomes para colocar na lista do Camarote... posso encaminhar isso lá pra lista do Camarote, né?". Em maio do mesmo ano, uma mensagem encaminhada ao banqueiro trazia um recado atribuído ao desembargador: "Oi, Ana, tudo bem? Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional para o Fasano. Só uma diária".
Em junho de 2025, a advogada Camilla Ramos comemorou uma decisão na Segunda Turma do STF enviando uma mensagem a Vorcaro: "Um excelente voto do min. Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização". O material analisado também registrou conversas sobre pagamentos que teriam como destino Kevin Marques, filho do ministro.
Em manifestação oficial, o desembargador Newton Ramos esclareceu que seu vínculo com Vorcaro era estritamente pessoal e anterior às investigações. Ele explicou que as discussões sobre meios de transporte e imóveis ocorreram no campo privado, em razão de sua sociedade na empresa Prime You. "Tratou-se de situação privada articulada com a profissional que presta serviços para o referido banco, sem qualquer vínculo com funções públicas. Por fim, nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master", sustentou o magistrado.
Já o ministro Kassio Nunes Marques rebateu as suspeitas ao classificar a divulgação do caso como uma tentativa de construir uma narrativa para incriminá-lo e atingir sua atuação na presidência do TSE. O magistrado assegurou que jamais trocou mensagens ou dialogou com Vorcaro, negou ter autorizado terceiros a falarem em seu nome e rechaçou qualquer prestação de serviço de seu filho ao Banco Master.
Além de frisar que a ação julgada por ele no STF não guarda relação com os processos sobre precatórios do STJ citados nas mensagens, o presidente do TSE declarou seu impedimento em julgamento relativo a menções feitas a Alexandre de Moraes. Ao explicar a decisão, afirmou: "Esse julgamento pode também impactar no cenário político-eleitoral, então na condição de presidente do TSE eu não me sinto confortável para participar deste julgamento e afirmo o meu impedimento".


