Republicanos formaliza apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno contra Lula
Sigla esteve neutra na primeira etapa da eleição; aliança teve articulação do governador Tarcísio de Freitas
Foto: Lula Marques/Agência Brasil O Republicanos formalizou nesta quarta-feira (7) o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República no segundo turno. A decisão marca a alteração do posicionamento do partido, que adotou neutralidade na primeira etapa da disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A construção do acordo teve a articulação direta do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Ele intensificou os contatos com a direção partidária logo após ser reeleito e viajou a Brasília para fechar a aliança.
No evento de anúncio, o governador paulista declarou a adesão da legenda à campanha do senador do PL. "O Republicanos está aqui para te ajudar a ser um grande presidente da República. Você está percebendo a dor das famílias cada dia mais endividadas", afirmou Tarcísio de Freitas.
Durante o discurso, Tarcísio ressaltou a união das equipes políticas e defendeu a necessidade de mudança na gestão federal. "O time do Republicanos agora é o seu time. O time que vai te ajudar a fazer a diferença. A única coisa vermelha nesta eleição é cartão vermelho para essa turma", declarou o governador.
O presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, explicou que a resolução reflete o resultado das urnas. Ele assegurou que o alinhamento não é automático e ressaltou que pediu votos ao candidato nas cidades paulistas onde fez campanha.
Marcos Pereira justificou o movimento nacional com base na votação obtida no pleito e no crescimento da legenda. "Não é um gesto automático esse apoio aqui, nem uma adesão incondicional. É uma decisão que nasce da voz das urnas", disse o dirigente.
O comando do Republicanos admitiu divergências regionais e confirmou que respeitará as alianças locais. Lideranças como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), e Silvio Costa Filho (PE) apoiaram a reeleição de Lula no primeiro turno e não participaram do ato.
Sobre a permanência de apoios opostos nos estados, Marcos Pereira reafirmou o respeito às bases regionais. "No primeiro turno, o Republicanos fez uma escolha deliberada. Não impôs e deixamos cada diretório decidir, porque quem pisa no chão do seu estado sabe melhor do que qualquer gabinete em Brasília. As urnas nos deram razão", declarou o presidente da sigla.
A cerimônia em Brasília contou com a participação do senador Cleitinho, eleito para o governo de Minas Gerais, e de Otaviano Pivetta, reeleito em Mato Grosso. Também estiveram presentes os senadores Hamilton Mourão e Damares Alves.
Com o anúncio, Flávio Bolsonaro amplia o bloco de partidos aliados para o segundo turno da eleição. A candidatura já contava com a formalização de apoio do Novo e da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
O candidato do PL também recebeu o endosso do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD. No entanto, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, sinalizou a neutralidade oficial da legenda com a liberação dos diretórios.
A aliança no segundo turno ocorre após uma etapa inicial sem coligação formal para Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, a neutralidade do Republicanos impediu a indicação de Daniella Marques para a vice, vaga assumida pelo deputado federal Alfredo Gaspar.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou 45,16% dos votos.


