Lula associa mudança de postura de Flávio sobre escala 6x1 a atos no Rio e em SP
Presidente declara que pressão popular nas ruas fez opositor e PL apoiarem fim da jornada semanal de 44 horas.
Presidente Lula durante Cerimônia sobre medidas para microempreendedores individuais, no Palácio do Planalto, Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert A pressão das manifestações de rua em grandes capitais levou o senador Flávio Bolsonaro e o PL a mudarem de posicionamento e apoiarem o fim da escala 6x1. Essa foi a avaliação apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante agenda pública em Brasília. "Me parece que, depois da pressão da sociedade e depois de todas as manifestações nas ruas desse Brasil, o partido PL resolveu votar o fim da escala 6x1", disse o presidente.
O anúncio de voto favorável no Senado ocorreu após Flávio visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. O posicionamento marca um recuo do parlamentar, que antes classificava a proposta como "oportunista" e "eleitoreira". Flávio afirmou que a decisão atende ao desejo dos trabalhadores e declarou que, se eleito, o governo assumirá os custos dos empresários, sem detalhar de onde virão os recursos.
A mudança na postura da oposição sucede atos públicos realizados no fim de semana contra a escala 6x1. No domingo, um protesto convocado por entidades estudantis ocupou sete quarteirões da avenida Paulista, em São Paulo, com a presença de Lula. Na segunda-feira, apoiadores do governo também ocuparam sete quarteirões na avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro.
A declaração de Lula ocorreu durante anúncio do governo de um pacote de perdão de R$ 12 bilhões em dívidas tributárias de microempreendedores. Na ocasião, o presidente destacou que continuará agindo para induzir a oposição a votar pautas sociais. "Se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos direitos do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo", afirmou Lula.
No Congresso, a PEC 221/2019, que extingue a escala 6x1, está em discussão no plenário do Senado. A medida reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, assegurando dois dias de folga por semana sem corte salarial. Se aprovada em dois turnos, a redução será gradual, passando primeiro para 42 horas semanais em até dois meses após a promulgação.


