Renan Santos nega apoio a Lula no 2º turno e aponta maior risco em Flávio Bolsonaro
Presidente do Missão declara que não vai votar, defende independência partidária e avalia cenário de poder no Congresso Nacional.
Renan Santos concedeu entrevista e comentou cenário eleitoral do segundo turno. / Foto: Reprodução/ YouTube/ UOL O presidente do partido Missão e quarto colocado no primeiro turno da eleição presidencial, Renan Santos, decidiu não apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno e declarou que não pretende votar na disputa. O dirigente comunicou que deixará a escolha livre para seus eleitores, sem adotar indicativo oficial da legenda.
"Eu não vou votar. A última vez eu pedi voto nulo. Dessa vez eu tô falando: votem em quem quiserem", declarou em entrevista ao programa Alt Tabet, do Canal UOL.
Ao analisar a disputa entre os candidatos, o ex-candidato apontou que enxerga um perigo superior de acúmulo de poder em uma vitória do senador Flávio Bolsonaro. Segundo sua avaliação, o adversário do PL contaria com amplo respaldo na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, enquanto um eventual governo petista enfrentaria dificuldades legislativas para aprovar propostas de emenda à Constituição.
"Eu acho, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio. Eu acho isso aqui, da turma do PT, é o maior argumento que eles têm. Porque com o Lula, se o Lula ganhar a eleição, o Lula não tem poder pra passar PEC, pra passar nada", afirmou Santos.
A manutenção da neutralidade foi justificada pelo dirigente como uma medida indispensável para resguardar a autonomia do Missão e evitar a vinculação do seu grupo a outras correntes políticas. Ele defendeu que a prioridade da sigla é a consolidação de uma alternativa própria para o futuro do país.
"Eu sou o presidente de um partido político. Eu não posso pegar o meu partido político, que eu acredito que o futuro glorioso que eu criei os meus discursos passa necessariamente pelo meu projeto. Eu não posso pegar ele e... macular na defesa de outra causa", argumentou.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o dirigente reforçou que o partido não atuará como linha auxiliar de nenhuma outra força política no cenário nacional. Ele também abordou a relação com os eleitores dos dois lados da disputa e reiterou que a liberdade de voto concedida aos seus apoiadores já havia sido estabelecida pela liderança da legenda.
"Nós não somos satélite de nenhum outro grupo no Brasil, nem seremos", frisou o presidente da sigla.
Ao comentar o debate sobre eventuais ameaças institucionais, o ex-candidato rechaçou a possibilidade de ruptura democrática por meio de intervenção armada. No entanto, fez críticas à conduta das duas candidaturas que disputam o segundo turno do pleito presidencial.
"Ter um golpe militar, a meu ver, a gente não corre risco. E eu também não consideraria, que é uma mera opinião, que o Flávio, pela natureza dele, esteja trabalhando para algo assim. E por quê? Porque a natureza do Flávio é acordo, e roubo. A natureza do Flávio é acordo e roubo, o tempo todo", concluiu Santos.


