Governo americano declara Alexandre Ramagem ilegal e confirma processo de deportação
Foragido da Justiça brasileira após condenação no STF, o ex-deputado federal ultrapassou o prazo do visto e responde a processo migratório nos EUA.
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem teve a situação migratória declarada como irregular pelo governo dos Estados Unidos. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) classificou o ex-deputado federal Alexandre Ramagem como imigrante ilegal e confirmou que ele responde a um processo de deportação. A posição oficial do governo norte-americano desmente a narrativa de aliados políticos de que o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) estaria sob proteção no país.
Ramagem entrou em território norte-americano de forma legal em 11 de setembro de 2025, com autorização de permanência válida por seis meses. O prazo expirou em março de 2026, e ele permaneceu no país sem regularizar a situação migratória.
A existência de um pedido de asilo político protocolado pelo ex-parlamentar não garante permanência nem impede uma nova detenção ou envio ao Brasil. Segundo o órgão de segurança dos Estados Unidos, "Um caso de pedido pendente NÃO confere nenhum tipo de status legal nos Estados Unidos".
Em 13 de abril, o Serviço de Imigração e Alfândega deteve Ramagem em Orlando, na Flórida. Ele foi libertado dois dias depois sem necessidade de fiança para aguardar o trâmite migratório, medida que foi comemorada por apoiadores e congressistas ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. Ele deixou o Brasil descumprindo a proibição judicial de saída do país.
A ação de deportação conduzida pelas autoridades de imigração dos Estados Unidos tramita de forma separada ao pedido formal de extradição apresentado pelo governo brasileiro em 30 de dezembro de 2025. O caso expôs divergências internas no próprio governo americano, onde o Departamento de Segurança Interna trata o ex-deputado como ilegal, enquanto o Departamento de Estado acusou a Polícia Federal do Brasil de manipular o sistema migratório norte-americano para obter a prisão.
Após a detenção de Ramagem em Orlando, o governo norte-americano retirou o credenciamento do policial federal brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em Miami e havia colaborado na sua localização. Em resposta, o governo do Brasil suspendeu a autorização de um agente de imigração americano que trabalhava em Brasília, culminando na saída do funcionário do país em 22 de abril.


