Vorcaro afirma em delação rejeitada que grupo de Jaques Wagner recebia R$ 3 milhões por mês
Ex-banqueiro alegou repasses mensais em esquema do Credcesta na Bahia; acusação foi descartada pela PF e pelo MPF por falta de provas
O empresário Daniel Vorcaro e o Senador Jaques Wagner (PT-BA). Foto: Carlos Moura/Agência Senado (esq) | Reprodução/TV Lide (dir) O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirmou em proposta de delação premiada que o grupo político ligado ao senador Jaques Wagner recebia R$ 3 milhões por mês em propina na Bahia. A informação foi publicada originalmente pelo portal UOL. A proposta de colaboração foi rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal por falta de elementos de corroboração suficientes.
De acordo com os relatos de Vorcaro, os repasses mensais ocorriam por duas vias principais. O valor de R$ 2 milhões era pago por meio de um contrato entre o Banco Master e a PKL One, empresa responsável pela gestão do cartão consignado Credcesta. O R$ 1 milhão restante seria distribuído em dinheiro vivo a aliados do parlamentar.
A delação aponta o empresário Guilherme Henrique Sodré Martins como o operador de Wagner no esquema. Vorcaro declarou que não presenciou as entregas e que tomou conhecimento das operações por meio de seu ex-sócio Augusto Lima, que nega as afirmações. O documento menciona ainda os empresários Antônio Carlos Freixo Júnior e João Carlos Falbo Mansur.
A operação teve início com a privatização da estatal Empresa Baiana de Alimentos, arrematada pela NGV Empreendimentos e repassada à PKL One. Dezesseis dias após o leilão, o então governador da Bahia, Rui Costa, assinou decretos que ampliaram as possibilidades de exploração do Credcesta. O texto da delação cita Costa cinco vezes, mas não detalha contrapartidas diretas do senador ou interferências concretas no processo.
A defesa de Jaques Wagner afirmou que as acusações são "completamente falsas e oportunistas, criadas para interferir nas eleições". Em nota, os advogados declararam que "a mentira vem de uma pessoa que está presa, criando factoides na tentativa de ter de volta a sua liberdade", reforçando que o senador não tem relação com o Banco Master ou com a PKL One.
Os advogados de Daniel Vorcaro declararam que repudiam a divulgação dos anexos da proposta e não reconhecem a autenticidade do material. A defesa de Augusto Lima classificou as alegações como "um completo absurdo, mentirosas, desconexas da realidade e delirantes", afirmando tratar-se de "uma obra de ficção já rechaçada pelas autoridades competentes" e "uma narrativa falsa, fictícia e unilateral, sem valor probatório".
Ao comentar as tratativas com as autoridades, Vorcaro relatou insatisfação com a condução das conversas, afirmando: "Pedi diversas reuniões, não foram atendidas, não atenderam os advogados, quando atenderam os advogados, era simplesmente de maneira protocolar". O ex-banqueiro citou também o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarando que "o próprio diretor‐geral, o Andrei, que viajou para eventos comigo, com namorada, teve ingressos, teve uma relação pretérita a esse caso, especificamente".


