Polícia Federal desmente depoimento de Daniel Vorcaro sobre repasses para filme de Lula
Corporação rejeitou propostas de delação do banqueiro, informou não ter recebido documentos e abriu apuração sobre reportagem.
Sede da Polícia Federal recebeu notícia-crime com pedido de providências sobre matéria jornalística.Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República negaram que o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tenha prestado depoimento acusando pagamentos para a produção de um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As autoridades federais contestaram as informações divulgadas pela revista Veja, ressaltando que nenhuma proposta de delação premiada apresentada pela defesa do banqueiro foi aceita por descumprimento de exigências legais.
Em nota oficial lançada nesta sexta-feira, a instituição policial afirmou que o investigado não forneceu informações ou documentos com o teor publicado. O comunicado da corporação reforçou: "Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito".
Sobre os acordos tentados pelos advogados do banqueiro, o órgão explicou que a negativa ocorreu de forma fundamentada. A nota salientou que "as propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais".
A Procuradoria-Geral da República também confirmou a ausência de declarações presenciais do empresário. Segundo o órgão ministerial, "não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa", lembrando ainda que tratativas dessa natureza são sigilosas.
Além disso, a Polícia Federal registrou o recebimento de uma notícia-crime solicitando apuração urgente sobre os fatos veiculados na imprensa. O pedido foi repassado aos setores técnicos para que sejam adotadas as medidas cabíveis.
O posicionamento oficial ocorre após a divulgação de uma reportagem com áudios e papéis atribuídos a Vorcaro. O texto veiculado afirmava que o banqueiro teria desembolsado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre Lula dirigido por Oliver Stone, além de repasses voltados ao Instituto Lula.
A publicação alegava que os pagamentos teriam sido exigidos pelo ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto para liberar investimentos do Banco Master em fundos de pensão estatais. Entre as instituições citadas na reportagem estavam os fundos de previdência da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Petrobras e Correios, além de citar os supostos envolvimentos de Alexandre Padilha, então ministro das Relações Institucionais, e de Olavo Noleto, seu então secretário-executivo.
Diante das acusações, a equipe da campanha do presidente reagiu e classificou o conteúdo divulgado como uma "peça eleitoral" desenvolvida para beneficiar Flávio Bolsonaro na disputa presidencial do segundo turno. Os representantes da coligação Brasil Pronto Para Mais rebateram as denúncias e informaram que vão acionar a Justiça.


