PT formaliza registro do "Exército do Lula" como propaganda oficial no TSE
Ação cumpre exigência do ministro Kassio Nunes Marques para regularizar o uso do grupo de mensagens na campanha presidencial.
Foto: Ricardo Stuckert. A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou no Tribunal Superior Eleitoral o registro do grupo de WhatsApp "Exército do Lula" como canal oficial de propaganda. A petição atende a uma exigência estabelecida pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, para liberar o funcionamento da ferramenta. Além dessa comunidade, a coligação incluiu na relação o "Canal do Lula" e a página "O pior dos Bolsonaros".
Idealizado pelo deputado federal André Janones após o primeiro turno, o espaço funciona como um centro de mobilização digital para a distribuição de vídeos, áudios e orientações de campanha aos militantes. A rede de apoiadores registrou forte expansão ao saltar de 50 mil integrantes para a marca de 4 milhões de inscritos. A estratégia busca organizar a atuação militante e alcançar eleitores fora da base tradicional.
A liberação do canal ocorreu após o relator condicionar o retorno das atividades ao cadastro formal perante a Justiça Eleitoral. Ao fundamentar a restrição temporária, Kassio Nunes Marques salientou os riscos da falta de comunicação oficial. O ministro registrou que "A ausência da comunicação exigida constitui fundamento suficiente para impedir a continuidade da utilização eleitoral do canal enquanto não regularizada sua situação perante esta Justiça especializada, observados os prazos normativos aplicáveis".
A decisão do tribunal determinou o acompanhamento preventivo das postagens e vetou a circulação de conteúdos já retirados por ordens judiciais. As diretrizes de fiscalização também foram estendidas aos canais de mensagem mantidos pela candidatura de Flávio Bolsonaro. Uma verificação técnica realizada pelo órgão entre 2 e 11 de outubro não constatou a reiteração de trechos considerados irregulares nas matérias analisadas.
O bloqueio inicial havia sido provocado por uma representação da equipe do candidato adversário, sob a alegação de difusão de conteúdos falsos. Em contrapartida, a chapa do senador oposicionista atua com a "Tropa do Flávio", canal que contabiliza cerca de 1,4 milhão de participantes. A medida judicial chegou a ser derrubada no fim de semana pelo corregedor Villas Bôas Cueva, mas acabou reestabelecida pelo presidente do TSE até a devida regularização.
A ordem de paralisação gerou críticas por parte dos dirigentes petistas e do próprio candidato à reeleição. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou o ato como "censura" e declarou que a restrição "impede a liberdade de expressão e o direito de organização e participação democrática", acrescentando que a medida ocorre de forma prejudicial "durante o período eleitoral". Por sua vez, Lula classificou a primeira ação como "tendenciosa" ao comentar a atuação da Justiça Eleitoral.


