Imprensa internacional analisa aprovação do fim da escala 6x1 no Senado como avanço político de Lula
Veículos estrangeiros destacaram a votação de 75 a 1 no plenário e os reflexos da medida na disputa do segundo turno.
No Plenário lotado, senadores comemoram aprovação final da redução da jornada de trabalho. / Foto: Carlos Moura/Agência Senado O Senado Federal concluiu a votação da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1, registrando 75 votos a favor e 1 contrário em sessão plenária na noite de quarta-feira (14). A decisão do Poder Legislativo repercutiu em veículos de comunicação estrangeiros, que avaliaram o resultado como um fortalecimento político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reta final do processo eleitoral.
Na Argentina, o jornal Clarín classificou a decisão legislativa como "jogada política de Lula: Brasil aprova redução da jornada de trabalho, a menos de duas semanas do segundo turno das eleições". Por sua vez, o espanhol El País pontuou no título do seu relato que "dezenas de milhões de trabalhadores conquistam um segundo dia livre no Brasil, uma vitória política para Lula".
O periódico britânico Financial Times ressaltou que parlamentares brasileiros "votaram para abolir uma semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina". A publicação considerou a medida uma "vitória para Lula" perto da votação decisiva, ressaltando ainda que "terminar a semana de trabalho de seis dias alinhará o Brasil com muitas nações de renda mais alta, onde as horas de trabalho diminuíram à medida que a produtividade e a eficiência melhoraram".
Também no Reino Unido, o jornal The Guardian projetou que a mudança trabalhista pode alcançar até 30 milhões de pessoas em todo o território nacional. A reportagem internacional resgatou a trajetória do projeto no debate público ao destacar que "a proposta começou como um movimento do TikTok chamado Vida Além do Trabalho, fundado por um assistente de farmácia que entrou na política após seu sucesso e mais tarde foi abraçado por Lula".
A movimentação do bloco de oposição foi acompanhada por veículos globais, lembrando que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) se posicionava contra o texto e alterou o posicionamento dias antes da deliberação. O jornal La Nación, da Argentina, qualificou a aprovação como "a grande aposta de Lula antes do segundo turno", anotando que o parlamentar oposicionista modificou o posicionamento e adiantou o voto favorável 48 horas antes da abertura da sessão.
A agência de notícias norte-americana Associated Press informou que o único voto contrário partiu "do ex-vice-presidente Hamilton Mourão, que atuou durante o governo do presidente Jair Bolsonaro". De acordo com a apuração da agência, correligionários do senador do PL deixaram de obstaculizar a matéria popular para evitar desgaste eleitoral no confronto direto com a candidatura governista.
Mesmo após a adesão à votação, o The Guardian registrou declaração do senador de que "apoia algo ainda melhor", em referência a um modelo alternativo com pagamento fundamentado nas horas efetivamente trabalhadas. Sobre essa linha alternativa, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, declarou em entrevista à TV Jovem Pan que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro buscará aprovar um formato "por hora trabalhada".
O texto aprovado estabelece o descanso semanal remunerado obrigatório de dois dias, no formato máximo de 5x2, reduzindo o limite de trabalho semanal de 44 para 40 horas sem decréscimo na remuneração. O cronograma fixado determina prazo de transição de 14 meses, sendo que em 60 dias as empresas devem adotar o limite de 42 horas e, após mais 12 meses, atingir o patamar final de 40 horas semanais.
* Com informações da Agência Brasil.


