André Mendonça confirma audiência com Daniel Vorcaro e afirma ter votado contra o Banco Master
Ministro do STF declarou que recebeu o empresário para tratar de processo sobre precatórios, mas ressaltou que sua decisão contrariou os interesses da instituição.
Foto: Carlos Moura/SCO/STF O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça confirmou ter se reunido, em março de 2025, com o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Em esclarecimento divulgado por seu gabinete, o magistrado explicou que a audiência tratou de uma ação sobre créditos de precatórios e enfatizou que sua decisão no processo foi contrária aos interesses do banco.
De acordo com a nota oficial, o encontro ocorreu por iniciativa do próprio empresário, ocasião em que o ministro se limitou a ouvi-lo. A pauta da reunião foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava com o julgamento interrompido por pedido de vista. No mesmo mês, Mendonça também atendeu o advogado de Vorcaro e recebeu memoriais impressos que constam nos registros do gabinete.
A manifestação do integrante do STF ocorre após a veiculação de conteúdos atribuídos ao celular do empresário pelo jornalista Paulo Motoryn, na newsletter Noites Húngaras. As informações divulgadas indicam que a aproximação entre as partes foi intermediada ao longo de semanas pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Sobre o teor das mensagens trocadas entre terceiros, o gabinete informou que o ministro não comenta diálogos privados dos quais não fez parte. "Sua atuação, pública e privada, é pautada pela legalidade e pela impessoalidade", destacou o comunicado. A revelação do encontro ocorre um dia após a divulgação de relatórios da Polícia Federal que citam contatos de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.
Confira a íntegra da nota oficial do ministro André Mendonça:
"Sobre a reportagem publicada nesta data, o ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro
Em todas as ocasiões, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do Supremo Tribunal Federal e que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro Ministro. Como já noticiado pela imprensa, o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto.
Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos.
Por fim, o ministro não comenta diálogos privados entre terceiros, cujo teor não lhe cabe confirmar. Sua atuação, pública e privada, é pautada pela legalidade e pela impessoalidade."


