Conselho do MPF analisa pedido de investigação e afastamento de Paulo Gonet no caso Master
Colegiado avalia se há elementos para apurar conduta do procurador-geral da República após citações em mensagens apreendidas pela Polícia Federal
Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Foto: Gustavo Moreno/STF O Conselho Superior do Ministério Público Federal se reúne nesta sexta-feira (25), às 10h, para decidir se abre investigação sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e se o afasta dos processos do Banco Master no Supremo Tribunal Federal. A sessão extraordinária ocorre na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, com transmissão pelo canal do MPF no YouTube.
A análise atende a uma representação apresentada por deputados do partido Novo. Os parlamentares pedem a designação de outro subprocurador-geral para conduzir as ações ligadas ao caso no STF, sob o argumento de garantir independência e imparcialidade.
Por ser parte interessada, Gonet não participa das discussões nem da votação. A sessão é conduzida pelo vice-presidente do conselho, subprocurador-geral Nicolao Dino, irmão do ministro do STF Flávio Dino. O relatório e o voto serão apresentados pelo relator, subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino.
Ao todo, nove conselheiros estão aptos a votar. Se houver maioria pela abertura da apuração, um subprocurador será designado para relatar a investigação por crime comum. Caso a maioria rejeite o pedido, o procedimento será arquivado.
O procedimento tem origem em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em texto de novembro de 2025, Vorcaro citou o procurador-geral e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmando: "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?".
A Polícia Federal informou que não há indícios de que Gonet ou Andrei Rodrigues tenham interferido nas investigações. Em sua defesa, o procurador-geral negou proximidade com Vorcaro e afirmou que sua interação com o ex-banqueiro foi "brevíssima e banal", restrita a conversas sem relação com o cargo.
O caso também envolve a divulgação de uma foto de abril de 2024 em um evento jurídico em Londres. Após o surgimento das conversas, Gonet solicitou ao STF a anulação do relatório da Polícia Federal, alegando que o ministro André Mendonça aprofundou investigações sobre conversas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes sem autorização do plenário da Corte.


