Lula volta a criticar apostas online, classifica setor como "desgraça" e defende fim da jornada 6x1
Em pronunciamento, presidente rebatia pressões de clubes sobre a proibição das bets, celebrou a votação do fim da escala 6x1 no Senado e defendeu investimentos públicos em infraestrutura.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante fala com a imprensa, na Casa de campanha, em Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender publicamente a proibição das casas de apostas de quota fixa em todo o território nacional. O chefe do Executivo afirmou que não recuará diante das pressões de setores econômicos atingidos pela medida. Para embasar a decisão, sustentou que o impacto financeiro das plataformas recai sobre as famílias de menor renda, declarando que "as bets virou nesse país uma desgraça para o povo pobre".
A determinação de veto foi formalizada por medida provisória e suspendeu as operações das empresas após prazos para encerramento de campanhas publicitárias e devolução de saldos aos apostadores. Durante declarações à imprensa em Brasília, o presidente assegurou que a gestão federal atuará para preservar os recursos de subsistência da população. Ele garantiu que "enquanto eu for presidente nós não vamos permitir que o leite, o pão, o feijão da família sejam utilizados para enriquecer e para lavagem de dinheiro nesse país".
Ao rebater questionamentos de dirigentes esportivos sobre a perda de patrocínios no futebol, o presidente negou risco de paralisação da modalidade. Lembrou que as conquistas nacionais e os títulos mundiais da seleção e de grandes clubes brasileiros ocorreram antes da expansão das plataformas digitais. Como alternativa de receita, defendeu a conversão das equipes em sociedades anônimas, questionando: "por que não estão virando? Porque encontraram a facilidade no cassino".
Além das restrições aos jogos digitais, o candidato à reeleição abordou pautas trabalhistas ao destacar a tramitação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6x1. O texto passou pela terceira sessão de discussão no Plenário, de um total de cinco antes da votação. Ao avaliar o cenário legislativo, afirmou que "vamos conseguir aprovar uma lei que garanta ao trabalhador o direito de ficar dois dias em casa e trabalhar cinco dias. Esse é o nosso compromisso, sem redução de salário".
No mesmo pronunciamento, o presidente criticou a proposta de contenção de despesas públicas defendida pelo adversário Flávio Bolsonaro. Apontou que reduções orçamentárias anteriores afetaram programas sociais como o Farmácia Popular e o Mais Médicos, argumentando que "toda vez que um governo diz que vai fazer corte, teto de gastos e ajuste fiscal, eles fazem essa proposta para tirar do pobre". Como alternativa para contenção da dívida, defendeu aportes estatais em obras de infraestrutura, como ferrovias e rodovias, para estimular o crescimento econômico.


