Flávio fala nos EUA pela 1ª vez sem revelar detalhes da fuga
Parlamentar projeta nova disputa presidencial antes de 2030, aponta suposta fraude no pleito e confirma apoio à candidatura de Rogério Marinho no Senado.
Foto: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro O senador derrotado na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reapareceu em um vídeo de 17 minutos gravado nos Estados Unidos na noite de sexta-feira (30). Diretamente do exterior, o parlamentar afirmou que projeta disputar novamente o Palácio do Planalto antes de 2030, apostando em um colapso econômico para abreviar o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso", declarou o senador ao afirmar que "o Brasil está fadado a quebrar".
Além de projetar o cenário nacional, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro anunciou que pretende liderar a oposição a partir do território norte-americano. Para estruturar essa resistência política no Congresso Nacional, o parlamentar declarou apoio à candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal na eleição marcada para fevereiro de 2027. "A nossa trincheira, neste momento, será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal", afirmou Flávio Bolsonaro, cuja legenda prevê ocupar 29 das 81 cadeiras da Casa Alta.
Na gravação, Flávio Bolsonaro explicou ter optado pela saída clandestina do país após ser intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26), em Brasília. A intimação ocorreu logo depois de o parlamentar visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador ressaltou ter articulado a partida em sigilo com a esposa, Fernanda Bolsonaro, justificando que "a decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse. Até porque, se soubesse, a chance de dar errado seria maior".
Ao abordar os motivos de sua viagem, o integrante do PL acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de promover perseguição política e voltou a questionar, sem apresentar provas, o resultado das urnas de domingo (25), quando Lula venceu o pleito com 51,79% dos votos válidos contra seus 48,21%. Ele alegou ter deixado a jurisdição nacional para preservar sua liberdade de manifestação pública. "Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil", sustentou o parlamentar ao criticar as decisões judiciais.
Embora não tenha detalhado o trajeto no vídeo, reportagens revelaram que o senador descumpriu a proibição de deixar o país imposta pelo ministro Alexandre de Moraes (STF). A travessia ocorreu na terça-feira (27) via Foz do Iguaçu (PR) até Puerto Iguazú, na Argentina, utilizando passaporte italiano. Na sequência, a família embarcou em um jato particular providenciado por Jason Miller, integrante da Casa Branca, fazendo escala em Guayaquil, no Equador, antes de desembarcar em Miami, na Flórida, na manhã de quarta-feira (28), com autorização de entrada concedida pelo presidente norte-americano Donald Trump.
A PF confirmou que investiga as circunstâncias da violação das medidas restritivas e que já havia cancelado os passaportes brasileiro e diplomático do parlamentar por descumprimento de ordem judicial. Paralelamente, Flávio Bolsonaro responde a inquérito no STF sob suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, referente a um pedido de US$ 34 milhões para o filme Dark Horse. O senador nega qualquer irregularidade e aponta motivação política nas investigações.
Pela lei brasileira, a saída do presidente não provocaria uma nova eleição direta de imediato, como sugeriu o senador. Se o presidente deixar o cargo, quem assume o governo é o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Uma nova eleição com voto popular só aconteceria se o presidente e o vice deixassem os cargos nos dois primeiros anos de mandato. Se a saída dos dois ocorrer nos dois últimos anos, a escolha do novo presidente é feita de forma indireta pelos parlamentares no Congresso Nacional.


