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,04/11/2026

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Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado dos EUA e impõem derrota a Donald Trump

Oposição assume o controle do Congresso norte-americano a partir de 2027, enquanto o presidente nega impacto pessoal, aceita o resultado e promete recorrer a vetos.


Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado dos EUA e impõem derrota a Donald Trump Foto: Joyce N. Boghosian / Casa Branca

O Partido Democrata conquistou a maioria da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos (EUA) nas eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como "midterms", realizadas na terça-feira (3). Com a vitória da oposição, o Partido Republicano perdeu o controle das duas Casas do Congresso norte-americano, marcando a alteração da correlação de forças políticas para os dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump (Partido Republicano). A posse das novas bancadas está confirmada para 3 de janeiro de 2027, com mandato válido até janeiro de 2029.

De acordo com o balanço parcial divulgado na manhã de quarta-feira (4), os democratas garantiram 228 das 435 cadeiras na Câmara dos Representantes, enquanto os republicanos obtiveram 139, restando 68 distritos indefinidos. No Senado, a oposição e os senadores independentes aliados alcançaram 54 dos 100 assentos, contra 44 republicanos e duas disputas pendentes. Os números consolidados nas urnas superaram as projeções pré-eleitorais e inverteram o cenário em relação à legislatura anterior, quando o governo detinha 53 vagas no Senado e a maioria na Câmara.

A formação de maioria oposicionista garantirá aos democratas o comando das comissões parlamentares, a definição da pauta de votações e a autonomia para abrir investigações sobre a administração da Casa Branca. O grupo opositor também passará a ter poder institucional para barrar indicações de cargos propostas pela presidência, incluindo vagas na Suprema Corte, além de dificultar projetos sobre impostos e imigração. A nova composição da Câmara terá autorização para aprovar propostas de impeachment, embora a destituição presidencial exija aprovação de dois terços do Senado.

O resultado nas urnas foi impulsionado por viradas históricas em territórios de tradição republicana nos Estados Unidos. No estado do Texas, o democrata James Talarico venceu o republicano Ken Paxton e se tornou o primeiro senador eleito pelo Partido Democrata no estado desde 1988, encerrando um ciclo de 38 anos de domínio republicano. No Kansas, o candidato Adam Hamilton (PD) assumiu uma vaga no Senado que não era conquistada por correligionários democratas desde o ano de 1932.

A mudança partidária a favor do Partido Democrata no Senado se estendeu à Carolina do Sul, com a vitória de Annie Andrews, e a Ohio, com a eleição de Sherrod Brown, além de assentos conquistados pela legenda em Iowa, Maine e Carolina do Norte. A sigla opositora também manteve vagas de destaque com os democratas Jon Ossoff, na Geórgia, e Chris Pappas, em New Hampshire, onde sucedeu Jeanne Shaheen. No Executivo estadual, o Partido Democrata venceu com Gina Hinojosa para governadora do Texas após 36 anos de hegemonia republicana, enquanto a correligionária Keisha Lance Bottoms se tornou a primeira mulher negra governadora da Geórgia.

Após a divulgação dos resultados eleitorais, o presidente Donald Trump reconheceu a vitória da oposição, embora tenha negado que a derrota signifique a rejeição popular de seu governo. Em entrevista concedida à emissora Fox News, o mandatário norte-americano fez menção ao desempenho dos adversários: "Parabéns aos democratas. Eles fizeram um bom trabalho". Em seguida, o presidente buscou afastar o impacto direto da votação sobre sua imagem: "Não vejo isso como um golpe contra mim".

Em publicação na rede social Truth Social, o chefe do Executivo atribuiu a perda de maioria republicana ao fato de não estar participando diretamente da disputa: "Eu não estava na cédula. Se estivesse, teríamos vencido de lavada". À emissora CBS News, Trump alegou que o revés derivou do fraco desempenho dos candidatos locais e da baixa mobilização da base conservadora. Apesar dos questionamentos, o presidente indicou disposição para o diálogo institucional com a nova bancada: "Espero trabalhar com vocês pelo bem do nosso país".

Diferente da postura adotada nas eleições presidenciais de 2020, Donald Trump assegurou ao jornal New York Times que respeitará o veredito popular de 2026: "Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados". No entanto, o governante sinalizou que pretenderá utilizar o poder de veto presidencial contra propostas aprovadas pela oposição. Essa medida forçará os parlamentares democratas a negociarem diretamente com a Casa Branca a tramitação de projetos de lei.

Entre os principais fatores que influenciaram o eleitorado norte-americano estão a insatisfação com o custo de vida, as diretrizes da administração federal e a participação militar dos Estados Unidos na guerra contra o Irã. Em declaração ao jornal Wall Street Journal, Trump reconheceu os impactos econômicos provocados pelo conflito armado no resultado das urnas, mas defendeu o posicionamento militar: "Fiz a coisa certa. Faria novamente".

A nova dinâmica política iniciará uma fase de maior atrito e negociação entre os Poderes em Washington a partir de 2027. Para superar o bloqueio de manobras regimentais, a bancada democrata precisará alcançar os 60 votos exigidos no Senado; já para derrubar os vetos da Casa Branca, será necessário o apoio de dois terços dos membros em ambas as Casas do Congresso.




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