Trump autoriza permanência de Flávio Bolsonaro nos EUA, mas nega reunião com o senador
Presidente americano voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro e autorizou entrada temporária do parlamentar após descumprimento de ordem do STF.
Foto: Gage Skidmore / Flickr O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em solo norte-americano, mas descartou a realização de um encontro presencial com o parlamentar brasileiro. A declaração foi dada durante conversa com jornalistas em Mar-a-Lago, no estado da Flórida.
Na oportunidade, o republicano afirmou considerar que o senador foi injustiçado no Brasil e voltou a colocar em dúvida o resultado do recente processo eleitoral do país. "Não tenho planos de encontrá-lo, mas acho que ele foi muito maltratado. Muito maltratado. Então, ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser", declarou Trump, que completou: "Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha".
Apesar da autorização de permanência concedida por Trump, a permissão ocorreu por meio da concessão de uma autorização migratória temporária conhecida como parole, mecanismo que não equivale a asilo político ou residência permanente.
Em relação à logística da viagem, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou qualquer envolvimento direto do governo dos Estados Unidos. "Não facilitamos nada", declarou Rubio.
A afirmação do secretário, no entanto, contrasta com informações divulgadas pelos jornais The Wall Street Journal e The New York Times. Segundo as publicações, o assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, ajudou a viabilizar a aeronave particular utilizada pela família do senador. O grupo partiu da fronteira terrestre entre o Brasil e a Argentina, em Puerto Iguazú, fazendo escala no Equador antes de desembarcar em Miami.
A viagem de Flávio Bolsonaro ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retenção de seus passaportes e proibi-lo de deixar o território brasileiro. Diante do descumprimento da medida, a Polícia Federal (PF) procedeu com o cancelamento dos documentos de viagem e abriu investigação sobre a saída não registrada pelos postos formais de controle.
O senador alega sofrer perseguição política, nega a prática de crimes e utilizou seu passaporte italiano para ingressar na Argentina. Paralelamente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia oficializado a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% obtidos pelo integrante do Partido Liberal (PL), sigla que reconheceu o resultado das urnas.
O episódio gerou reação política no Congresso dos Estados Unidos, onde um grupo composto por 25 parlamentares do Partido Democrata enviou uma interpelação formal a Marco Rubio. Os congressistas cobram esclarecimentos sobre as condições da concessão da autorização de entrada e fixaram a data limite de 13 de novembro para o envio das respostas oficiais.


